Violência doméstica silenciosa
a dependência financeira da agredida ao agressor
Palavras-chave:
Autonomia feminina, Dependência financeira, Violência doméstica, Violência econômicaResumo
Este artigo tem como objetivo analisar de que forma a dependência financeira influencia a permanência de mulheres em situações de violência doméstica, bem como as dificuldades enfrentadas para reconhecer, romper e denunciar os abusos sofridos. A pesquisa fundamenta-se em uma abordagem interdisciplinar entre a Psicologia e o Direito, buscando compreender os fatores históricos, culturais, sociais e institucionais que sustentam e reproduzem o ciclo da violência doméstica no contexto brasileiro. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica de obras científicas, artigos acadêmicos e legislações pertinentes à temática da violência de gênero e da violência econômica. Os resultados da análise indicam que a dependência econômica constitui um dos principais fatores que dificultam a ruptura do vínculo abusivo, ao comprometer a autonomia, a autoestima e a segurança emocional das vítimas. Verifica-se que o controle financeiro exercido pelo agressor atua como mecanismo de coerção e dominação, reforçando a desigualdade de poder nas relações conjugais e contribuindo para o silenciamento das mulheres. Além disso, constata-se que, apesar dos avanços normativos alcançados, especialmente a partir da promulgação da Lei Maria da Penha, persistem barreiras sociais, institucionais e estruturais que limitam a efetividade das medidas de proteção e o acesso das mulheres à justiça. Conclui-se que o enfrentamento da violência doméstica exige ações que ultrapassem o âmbito jurídico-punitivo, incorporando políticas públicas integradas voltadas à promoção da autonomia econômica, ao fortalecimento do apoio psicossocial e à articulação intersetorial entre os serviços de proteção, saúde, assistência social e justiça.
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